Adeus, Man Rica!
Partirei.
Levarei comigo a saudade —
eco de risos que nunca ecoaram,
memórias que escaparam pelos dedos
quando éramos apenas adolescentes
no Liceu dos sonhos por nascer.
Partirei.
Mas a vida gravará nas páginas invisíveis
que nada é impossível enquanto o coração bater,
que somos poeira e título,
que honras se desfazem num instante de luz,
num sopro de eternidade.
Partirei.
E no futuro, que nos observa
com olhos de tempo,
ajustaremos contas,
não em silêncio,
mas em risos, lágrimas e lembranças
que recusam ser esquecidas.
Partirei.
E ainda assim estarei aqui —
nos gestos, nas sombras,
no impossível que insistimos em viver.
Partirei,
Mas não levarei comigo tudo —
deixarei pequenas lembranças
presas às paredes,
às conversas soltas,
às músicas que não acabaram
e ao cheiro de café das manhãs preguiçosas.
Partirei,
Mas saberás, na primeira ausência,
que a vida é feita de encontros e partidas,
que nenhum abraço é eterno,
mas todos deixam marcas
que nem o tempo consegue apagar.
Partirei,
E ao seguir o meu caminho,
levo-te comigo dobrado no peito,
como se fosses um capítulo
que não se fecha,
apenas vira a página.
E se o futuro nos chamar —
e ele sempre chama —
voltaremos ao mesmo riso,
à mesma ironia,
ao mesmo pacto silencioso
de irmãos que o tempo separa,
mas nunca rompe.
Adeus, Man Rica!
Não um adeus de fim,
mas um adeus de quem parte sabendo
que há despedidas que são apenas
o prelúdio dos regressos.
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