São Tomé e Príncipe

Duas ilhas que se fitam, frente a frente,
como irmãs que o tempo moldou lentamente.
Beijam-se no abraço do sol — ora frio, ora ardente

entre risos, passos e o leve-leve da nossa gente.

Uma delas, triste, sente-se por vezes abandonada,
presa ao silêncio de uma saudade demorada.
A outra, firme na sua resistência diária,
estende-lhe a mão solidária,
e roga aos santos padroeiros, com devoção inteira,
que nenhuma lágrima permaneça verdadeira.

Porque, apesar do mar que as separa,
o coração que as une nunca se afasta.
São Tomé e Príncipe — duas almas de uma só
casa,
duas vozes que cantam a mesma esperança.

Que voltem os ventos brandos da bonança,
Que sopram união, esperança e confiança,
E que o mar, testemunha antiga desta dança,
Abrace as duas ilhas num só encanto.

Que nenhuma fique só na dor que sente,
Pois o sangue é o mesmo — quente, valente —
E no pulsar forte do nosso coração
Há espaço para juntar o que o tempo separou.

Assim, sob a bênção do céu azul profundo,
Erguem-se São Tomé e Príncipe num só mundo,
Com o verde das roças e o mar fecundo
A lembrar que juntas sempre brilharão.

E que a saudade que hoje dói devagarinho
Se transforme em luz num doce caminho,
Onde cada passo se faça vizinho
Do amor que une este pequeno-grande país.

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