Sum Teixeira
Sum Teixeira
entrou em azáfama,
num ritmo irreconhecível, abismal.
Trazia sua companheira em fileira,
ofuscando, sem querer,
o brilho do nosso conselho nacional.
Não que fosse mal,
mas ao menos que anunciasse
essa entrada magistral,
para que pudéssemos acompanhar,
em corro atento,
o gingar cadenciado das ancas,
o olhar tímido de uma águia,
e todo esse espetáculo paralelo
que se desenrolava diante de nós.
E seguimos ali, imóveis, atentos,
como se a entrada fosse rito sagrado,
como se cada passo ecoasse
nos corredores do poder,
nos salões do conselho.
Sum Teixeira avançava,
e a companheira, alinhada,
era estrela de um balé que ninguém ensaiara.
E nós, pobres espectadores,
aplaudíamos com os olhos,
guardando na memória o desfile
de confiança, vaidade e graça,
que se perdeu tão rápido quanto chegou.
Então, em silêncio,
retornamos às nossas cadeiras,
sabendo que o conselho nunca mais
seria exatamente o mesmo.