Taxi
Os assentos rasgados dos autocarros
Lixos convivendo connosco
impedindo a normal circulação dentro do
automóvel
Rasgavam o silêncio do meu espírito
E uma outra voz
Em paralelo dizia-me
que naquele caos havia uma ordem antiga,
um modo próprio de respirar a cidade.
O motorista, com os olhos cansados,
sabia cada buraco da estrada de cor,
como se conduzisse não apenas um táxi,
mas memórias depositadas no asfalto.
E eu, perdido entre poeira e buzinas,
via o mundo mover-se devagar,
como se Bamako me pedisse
para abrandar o passo da alma.
Ali, no aperto quente daquele lugar,
percebi que certos caminhos
não se medem em quilómetros,
mas no que nos desperta por dentro.
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