Verdade Verdadeira
Verdade verdadeira,
juro… juro que não é besteira.
Porque, quando olho para aquela gente em fileira,
podes crer: só asneira.
De vez em quando,
ou quiçá numa sexta-feira,
madres, padres e freiras
juntam-se em festança certeira,
num riso que ninguém modera,
como se a vida inteira
fosse uma eterna brincadeira.
E o povo, que tudo espreita,
ri-se da cena inteira,
pois sabe que até alma ordeira
tem seus dias de bandoleira.
É a vida — tão passageira,
tão séria e tão galhofeira —
que nos lembra, à sua maneira,
que a verdade verdadeira
é sempre meio ligeira,
meio louca,
e muito inteira.
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