O sono

O sono me puxa
Pelos cabelos que não tenho.
Desperto um pouco,
Vejo-me no meu lugar,
Que eu não sei onde é.
Perco-me em um labirinto que está dentro de mim.
Corro com uma faca nos dentes
Para não sair da minha mão,
Que eu não sei se é minha.
O sono dá um tempo para mim.
Um tempo como todo tempo,
Com presente, futuro e passado
Correndo abraçados.
O relógio não para. 
No meu pulso ainda vejo alguma coisa. 
Na luz do dia nada vejo. 
O sono passa e leva com ele
Algo que é meu.
Meus olhos, meus ouvidos,
Todos os sentidos, 
Pelo sono atingidos. 
O sono adormece o meu ser,
Põe a minha alma no mar,
Para deixá-la sem peso,
Para ser facilmente levada pelos ventos.
O sono antes de pegar o corpo
Tira a alma pra dançar.
O sono dá razão à falta de razão.
O sono da razão é um pesadelo,
Que embrulha os sentidos em um novelo
Que rola de ladeira abaixo.

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