Passeio

Percorri léguas até Amarante,
onde montanhas se inclinam ao céu
e gentes surgem como ecos de histórias antigas.
Fisgas de Ermelo escalei,
tropeçando nos receios da minha alma errante,
enquanto o vento sussurrava segredos de pedra e água.

Do outro lado, avistei Nossa Senhora da Graça,
histórias gravadas nas paredes insólitas,
mistérios escondidos nos cantos das paisagens sedentas.
Tudo isso calcorreei com Ricardo,
passo a passo, riso a riso,
como se o caminho nos pertencesse por direito.

Em Mondim de Basto, subimos o Monte da Senhora da Graça —
Monte Farinha —
setecentos metros de esforço que se transformam em silêncio,
até tocar altitudes que se perdem no céu,
com o santuário no topo, quase a 922 metros,
e a cota máxima de 947 metros respirando história e fé.

Fisgas de Ermelo, cascatas que cantam,
horizontes que respiram liberdade.
Amarante fica, marca-me,
uma memória que não se fecha,
uma viagem que continua mesmo depois do regresso.

E quando os passos se calarem,
ficarão os olhos cheios de montanhas,
o coração cheio de riachos,
e o riso do amigo a ecoar
nas pedras, nos caminhos,
nos horizontes que respiram eternamente.

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