Despedida

Partilhamos instantes de impetuosidade,
Momentos densos, carregados
De uma abismada sensação
De resolução crescente.

E, quando a agonia apertava,
Recordei — com lágrimas nos olhos —
Os tempos bons, em que alguém por mim
Tudo fazia…
Era tempo doce, tempo de pura mordomia.

Partimos, sim, mas levamos connosco
As melhores memórias da jornada:
Um encontro que ensina,
Que molda e amadurece,
Que desperta, acima de tudo,
Um compromisso sério com Deus.

E ainda havemos de contar,
Entre risos vestidos de melancolia,
Mas com o sabor leve da euforia,
As nossas histórias, as nossas folias,
Os percursos que o tempo desenhou
Em nós e por nós.

Sim, inda havemos de contar
Os capítulos de um passado mal passado…
Mas vivido — E aprendido.

E quando o tempo nos chamar de volta,
Entre memórias que ainda doem
E outras que já sorriem sozinhas,
Haveremos de entender, enfim,
Que nada foi em vão.

Porque cada passo,
Cada riso, cada queda,
Cada despedida e cada reencontro,
Foram sementes lançadas na alma
Para florescerem no tempo certo.

E assim seguimos,
Com o coração aberto,
Com Deus no centro,
E com a certeza serena
De que as histórias que hoje terminam
Amanhã renascerão —
Mais leves,
Mais nossas,
Mais verdadeiras.

 

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