Ampulheta do fim
O fim do tempo a hora ainda é à mesma a criatura tal besta que suga ate a morte... figura desconcertante que causa repulso e cheia de códigos com em um sonhos de pesadelos
Vou perdendo a lógica desta realidade talvez a loucura não seja tão ruim assim... parece faltar pouco tempo...
Talvez comece à pinta o que as palavras não consegue mais dizer...
Em cada combinação binária poesia das estrelas destes códigos frios que tento capturar padrões; isso assombra-me...
Os anjos segurando os ventos entre os véus, guerras prontas e no momento exato eles vão soltar os desejos dos homens...
A língua e os olhos podres dentro da cabeça eles ainda vivos...
Não queira-te visto isso...O dom é a minha maldição...
A fumaça e o céu como jornal cinza se dobrando o terror e o tremor o sal da água e o petróleo
O ar solidificado preso no alaranjado nevoa tragando o gosto de maça verde e cheiro de capim-verde recentemente cortado...
E quando o cálice cai, o som ecoa mil eras, um rasgo no véu da existência o tempo sangra pelo chão, escorrendo como tinta espessa nas rachaduras do mundo que resta.
A criatura do futuro, metade máquina, metade sombra, abre os olhos dois buracos vertiginosos e o caos respira por eles...
Os códigos que giram ao redor de sua carne sussurram futuros que não quero decifrar...
O relógio dobra as horas, ampulhetas viram de si mesmas,
a areia sobe ao invés de cair, como se o fim quisesse reescrever o início.
E eu, com as mãos manchadas de visões, tento pintar aquilo que a voz recusa, traços tortos do destino, um murmúrio de astros morrendo, uma constelação que desaba em silêncio.
As nuvens, agora negras e elétricas, carregam o peso de um mundo exausto.
O vento traz o gosto de ferrugem, e as sombras caminham mais rápido do que qualquer criatura viva.
E no centro do caos, entre o último suspiro do homem
e o primeiro grito de algo novo, escuto o próprio universo
respirar fundo antes de ruir.
Talvez o futuro seja apenas isso o instante em que a luz hesita, antes de apagar e nessa hesitação,
O dedo que tomba o cálice... e desgoverna a estrela verde e mancha de um tom amago sobre as águas a sede...
39°50' 98°35' 31°47' 35°13' 66°25' 94°15' 39°55' 116°23'
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