Escritas

Ampulheta do fim

Charlanes Olivera Santos

O fim do tempo a hora ainda é à mesma a criatura tal besta que suga ate a morte... figura desconcertante que causa repulso e cheia de códigos com em um sonhos de pesadelos

Vou perdendo a lógica desta realidade talvez a loucura não seja tão ruim assim... parece faltar pouco tempo...

Talvez comece à pinta o que as palavras não consegue mais dizer...

Em cada combinação binária poesia das estrelas destes códigos frios que tento capturar padrões; isso assombra-me...

Os anjos segurando os ventos entre os véus, guerras prontas e no momento exato eles vão soltar os desejos dos homens...

A língua e os olhos podres dentro da cabeça eles ainda vivos...

Não queira-te visto isso...O dom é a minha maldição...

A fumaça e o céu como jornal cinza se dobrando o terror e o tremor o sal da água e o petróleo

O ar solidificado preso no alaranjado nevoa tragando o gosto de maça verde e cheiro de capim-verde recentemente cortado...

E quando o cálice cai, o som ecoa mil eras, um rasgo no véu da existência o tempo sangra pelo chão, escorrendo como tinta espessa nas rachaduras do mundo que resta.

A criatura do futuro, metade máquina, metade sombra, abre os olhos dois buracos vertiginosos e o caos respira por eles...

Os códigos que giram ao redor de sua carne sussurram futuros que não quero decifrar...

O relógio dobra as horas, ampulhetas viram de si mesmas,

a areia sobe ao invés de cair, como se o fim quisesse reescrever o início.

E eu, com as mãos manchadas de visões, tento pintar aquilo que a voz recusa, traços tortos do destino, um murmúrio de astros morrendo, uma constelação que desaba em silêncio.

As nuvens, agora negras e elétricas, carregam o peso de um mundo exausto.

O vento traz o gosto de ferrugem, e as sombras caminham mais rápido do que qualquer criatura viva.

E no centro do caos, entre o último suspiro do homem

e o primeiro grito de algo novo, escuto o próprio universo

respirar fundo antes de ruir.

Talvez o futuro seja apenas isso o instante em que a luz hesita, antes de apagar e nessa hesitação,

O dedo que tomba o cálice... e desgoverna a estrela verde e mancha de um tom amago sobre as águas a sede...

39°50' 98°35' 31°47' 35°13' 66°25' 94°15' 39°55' 116°23'