Escritas

POESIA curador releitura da obra de Van Gogh

Charlanes Olivera Santos

 

As pinturas como poesia sentimento sobre o que sentia, os seus céu de traços e pinceladas onduladas sentimentos nas suas noites solitárias à beleza do trigo maduro movimentando com sopro ventos, os corvos e emocional tumultuado do gênio Van Gogh, com um céu tempestuoso, corvos escuros e um caminho sem saída, simbolizando "tristeza, extrema solidão"...

Noites ondulantes estrelas mesclada ao manto noturno ondas de pensamentos sentimentos puro da beleza da solidão em versos de tinta a pintura que fala calada...

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POESIA curador releitura da obra de Van Gogh

Van Gogh…

o homem que pintava aquilo que o coração não conseguia dizer,

um sopro de luz dentro da loucura, um grito azul posto em cada estrela que tremia no céu...

As pinturas como poesia versos que não cabiam na boca

escorriam pelos dedos em pinceladas febris, traços ondulados como se o mundo respirasse em curvas, em redemoinhos,

em tempestades que só ele enxergava...

Seu céu… não era apenas céu, era mente em ebulição,

mar noturno que girava lento e profundo, um pulsar elétrico de esperança e desespero, uma janela para aquilo que ninguém queria ver

A beleza trágica do caos.

E nas noites solitárias, o silêncio se tornava tinta,

a dor virava constelação, e o mundo, tão pesado, encontrava leveza

nos dedos que tremiam, mas nunca deixavam de criar.

O trigo maduro dançava para ele, como se reconhecesse o artista que via mais que a simples cor dourada balançando ao vento

ele via a respiração da terra, a pulsação do universo

em cada haste curva.

Mas lá estavam eles os corvos, escuros como presságios,

pairando sobre o campo como pensamentos sombrios,

como sinais do destino apertado em seu peito.

Um caminho sem saída atravessava o quadro a estrada da alma que caminhava para dentro, sempre para mais dentro,

onde a tristeza ecoava como um poço sem borda.

O céu tempestuoso…

rasgado por tons violentos de azul e amarelo, era o retrato perfeito de seu coração febril.

E no meio daquele vendaval de cores, a solidão brilhava não como fraqueza, mas como verdade.

Noites ondulantes, estrelas que pareciam ouvir,

as pinceladas enroladas no manto noturno como ondas de pensamento, correndo entre a dor e o fascínio,

entre a loucura e o sublime.

Porque na solidão dele havia pureza, havia a beleza crua de quem sente tudo demais, de quem transforma desespero em cor,

silêncio em movimento, angústia em eternidade.

E sua pintura, calada, falava mais que qualquer voz humana

falava do medo, da esperança rasgada, da luz que insiste em continuar queimando mesmo quando a alma desaba em sombras.

Van Gogh,

o homem que transformou o próprio coração em tempestade,

e da tempestade fez arte. E assim, no limite tênue entre o brilho e o abismo, continuar pintando a si mesmo, mesmo quando o mundo já não cabia em seu peito...

Cada cor que escolhia era uma cicatriz antiga, um lembrete daquilo que sentia e ninguém via.

O amarelo não era sol apenas, era febre, era chama, era o desejo de existir.

O azul profundo, esmagado, era o desmaio da alma,

era o eco das noites em que o silêncio o engolia.

E havia o preto dos corvos, cortando o ar como pensamentos afiados, como sombras que pousam na mente

e começam a picar devagar, abrindo feridas invisíveis

que sangram apenas por dentro.

No campo infinito, o vento falava com ele, e ele respondia com pinceladas… uma conversa muda entre alma e universo,

entre solidão e delírio.

Às vezes parecia que a própria terra chorava, lançando sobre ele um lamento antigo, um pranto que arranhava o tempo

e atravessava o trigo ondulante como uma mão pálida buscando socorro.

E ele caminhava sempre sozinho pelo caminho sem fim do próprio quadro, como se pudesse encontrar respostas

nas curvas daquele horizonte torto, onde o céu parecia pesar tanto

que quase tocava o chão.

O gênio não via apenas o mundo, ele o respirava,

absorvia cada dor, cada cor, e devolvia tudo ao papel

como se cuspisse a alma pixel por pixel, tinta por tinta,

na eterna tentativa de aliviar o peso do peito.

Mas a arte nunca o aliviava o incendiava.

O queimava era bênção e ferida.

Era uma chama que iluminava e consumia ao mesmo tempo não é um quadro é um testamento...

É um coração posto na beira do precipício, batendo rápido,

suando luz, tentando sobreviver à própria tempestade interna.

E, mesmo assim, há beleza uma beleza brutal, dolorosa, como ver uma estrela morrer emitindo sua última explosão de brilho.

Van Gogh pintava o que não cabia no corpo e por isso suas obras até hoje respiram porque carregam um pouco dele,

um pouco de nós, um pouco da eterna luta entre luz e sombra

que existe em todo ser humano.

E na noite ondulante, nas estrelas turbilhonadas,

nos céus que parecem vivos, ouvimos ainda sua voz silenciosa, dizendo “Mesmo na loucura… ainda existe luz. ”E ali, no interior dos quadros, a tinta respirava como carne, cada cor pulsava como veias abertas, e o mundo de Van Gogh

não era pintura: era organismo vivo.

Entrar em suas obras era ouvir o coração do céu batendo,

um tambor subterrâneo que ecoava em ondas circulares,

espiralando como seus traços traços que pareciam segurar o universo para que ele não desmoronasse.

A noite estrelada não estava parada, ela girava num silêncio vibrante, como se cada estrela fosse um pensamento dele

tentando se libertar da própria dor.

Algumas brilhavam forte, como lampejos de esperança tardia.

Outras tremiam, quase apagando,

como se estivessem cansadas de sustentar tanto peso.

E nós caminhávamos ali, pelas curvas líquidas de cor,

pelos redemoinhos de azul profundo, onde o céu parecia uma mente fragmentada tentando juntar seus pedaços.

Em “Campo de Trigo com Corvos”, o vento tinha cheiro de despedida.

As hastes douradas sussurravam segredos, balançando como almas inquietas, e os corvos cortavam o horizonte como lâminas negras, ferindo o silêncio, anunciando algo inevitável.

O caminho central aquele que parece ir a lugar nenhum

era a estrada interna do gênio estreita, torta,

um corredor mental entre a luz e o colapso...

A cada passo, a tristeza se adensava, como névoa dourada cobrindo tudo, pesada, mas estranhamente bela.

E então víamos ele ali, não o homem,

mas seu espírito inquieto, se movendo pelas pinceladas,

tocando cada cor com dedos invisíveis.

Ele tentava falar mas não havia voz.

Somente cor Somente gesto Somente a respiração abafada

de um sentimento que não cabe no corpo humano.

A solidão não era ausência era presença densa, esmagadora,

que se deitava sobre o quadro como uma sombra antiga.

E ainda assim, mesmo nessa tempestade emocional,

havia uma pureza triste, uma ternura ferida,

uma luz tímida que nunca desistia mesmo quando tudo parecia ruir.

Porque Van Gogh não pintava para ser visto, pintava para sobreviver.

Cada obra era uma tentativa de manter o coração aberto,

de impedir que a escuridão interna o consumisse por completo.

E o que ele deixou ao mundo não foi só cor,

não foi só forma foi o mapa emocional

de um homem que sentiu tanto que precisou explodir em arte.

Hoje, quando olhamos suas telas, não vemos apenas pintura:

vemos o fantasma da luz lutando contra a sombra, vemos o eco de uma alma que ardeu demais, vemos a eternidade engastada em cada pincelada, como se dissesse:

“A dor passa,

mas o brilho que deixamos

fica.”