Poesia é voo dos pensamentos
Quero içar voo mesmo que o tempo negue-me o seu rosto mesmo que as minhas frases se partam como vidraças no impacto de cada instante...
Até que o verbo use-me e eu seja apenas impulso supura o coração que bate disparado e parado estático o corpo e a alma, e o espírito:
inquietude...
Em cada pensamento acelerado o ar de um peito sufocado e apressado o tempo que anda ligeiro preocupado em fazer passar
todos os temas que esqueci...
Mas eu insisto: sopro brasas antigas, faço do silêncio um pouso,
faço da pressa um ritual da rotina diária...
Há um tremor que anuncia tempestade e mesmo assim ergo os olhos como quem cisma em tocar o céu com dedos ainda manchados de estrelas e fascinação
Há um grito velho que me atravessa, um eco de páginas que nunca escrevi e exigem agora o meu nascimento das cinzas fenix fixo meu eu
E eu falho, febril entrego o corpo às sílabas, entrego a alma ao que pulsa, você...; aceito que não há retorno... quando a palavra decide existir... a bola de energia dos cosmos trabalha em segredo: "Não é sobre você"
Queimem-se então as dúvidas, queimem-se os atrasos, atrasados que se pulverizem os medos no rastro luminoso daquilo
que finalmente ouso sentir...
E se cair for o preço do voo, que eu caia em poesia, que eu me estilhace em verso no vidro de cada reflexos o seu que o mundo me recolha como quem recolhe faíscas centelhas pedidas para reacender a própria vida no emaranhado de estrelas
Porque cada linha que nasce é uma fresta de eternidade, e cada rima encontrada é um pedaço de mim que enfim aprendeu a respirar.
E enquanto o coração supura, enquanto o tempo corre,
eu sigo intacto e ferido erguendo palavras como asas,
até que o céu, enfim golfão das cinzas do luar
Português
English
Español