Escritas

Poesia é voo dos pensamentos

Charlanes Olivera Santos

Quero içar voo mesmo que o tempo negue-me o seu rosto mesmo que as minhas frases se partam como vidraças no impacto de cada instante...

Até que o verbo use-me e eu seja apenas impulso supura o coração que bate disparado e parado estático o corpo e a alma, e o espírito:

inquietude...

Em cada pensamento acelerado o ar de um peito sufocado e apressado o tempo que anda ligeiro preocupado em fazer passar

todos os temas que esqueci...

Mas eu insisto: sopro brasas antigas, faço do silêncio um pouso,

faço da pressa um ritual da rotina diária...

Há um tremor que anuncia tempestade e mesmo assim ergo os olhos como quem cisma em tocar o céu com dedos ainda manchados de estrelas e fascinação

Há um grito velho que me atravessa, um eco de páginas que nunca escrevi e exigem agora o meu nascimento das cinzas fenix fixo meu eu

E eu falho, febril entrego o corpo às sílabas, entrego a alma ao que pulsa, você...; aceito que não há retorno... quando a palavra decide existir... a bola de energia dos cosmos trabalha em segredo: "Não é sobre você"

Queimem-se então as dúvidas, queimem-se os atrasos, atrasados que se pulverizem os medos no rastro luminoso daquilo

que finalmente ouso sentir...

E se cair for o preço do voo, que eu caia em poesia, que eu me estilhace em verso no vidro de cada reflexos o seu que o mundo me recolha como quem recolhe faíscas centelhas pedidas para reacender a própria vida no emaranhado de estrelas

Porque cada linha que nasce é uma fresta de eternidade, e cada rima encontrada é um pedaço de mim que enfim aprendeu a respirar.

E enquanto o coração supura, enquanto o tempo corre,

eu sigo intacto e ferido erguendo palavras como asas,

até que o céu, enfim golfão das cinzas do luar