Escritas

Crepúsculo de uma tarde tétrica

Charlanes Olivera Santos

Estas nuvens violentas que se enferrujam rasgadas no horizonte nas asas dos ventos velozes feroz a tonalidade de um tom medonho o alaranjado solitário mesclar ao vermelho aquarela... que se derranca delindo devagar...

Estar tarde tão tétrica já anuncia as chuvas de agosto neste ano passado... Amor deserto desalma a minha 'lama desarmada desamar

O sol alucinado nasce do outro lado da rua manhã vejo no olho da primeira luz que escurece como no dia coroa a tardia e tardo perceber o anoiteço ardo...

As montanhas governam o oeste e nas pegadas cheias de ecos passos deste peregrino nos caminhos pergaminhos e escritura á morte sul cativo o meu norte um escape

Era tudo tão cedo e levando navegando passaram se tudo o tempo empurrava e agora resta-me o cálice de fel cheios de ainda tempo

pontes agudos perfura-me olhos na mesma sintonia corto a pele para ver se ainda me sinto esta realidade sem sabor como isopor

cheias de espaços de lacunas não preenchidas coração motor tenta na diagonal transversal esquivando ate a menor distância entre estes dois pontos

Curva o tempo sobre o abismo do coração perdura e logo se aproxima e nos reduz se um verso ao outro a rima sem olhos e já sem luz... transcendem o translucido de qualquer medida de tempo

o além e mais uma falta sem as pausas do amor

Falta á cor do luar de barro sou feito da argila que arde viva

neste fogo sou prisioneira do querer e sufoco sem agilidade do ar oxida o meu oxigênio neste frasco frágil

Logo os meus ossos âmbar naquela curva do tempo lamentaram os deuses do amor e és o momento amarelo e és a lua no fragrante

elaborará o meu eu como lembrança do poeta que cantava o socorro no céu e entre as estrelas saltava nas galhas do tempo