Escritas

Rock Roll o poema é em Carne Viva

Charlanes Olivera Santos

Os óculos do Jhon brilham como duas janelas tortas onde o mundo se reflete quebrado, meio psicodélico, meio febril, parecendo que cada lente segura um universo pronto para desabar num acorde de guitarra...

O olhar Pholl atravessa a madrugada, um farol embriagado de sonhos velhos, que não sabe se procura um rosto que foge nas letras mas olha e isso já é canção é a música então ele vem na fumaça do tempo Kurt Cobain, fantasma de flanela, soprando cinzas de tristeza...

O palco que nunca dorme a Nirvana vibra no ar como um uivo elétrico ulula a pólvora escorrendo pelas mãos dele

sem apavorar ninguém porque o público inteiro já nasceu queimado...

No canto da lembrança, Axl Rose abre a garganta

e solta pétalas afiadas; cada grito do Guns N’ Roses

é uma faca cantando amor e desespero.

Slash, com a cartola do caos, desenha labaredas com seis cordas,

e o solo ruge como um lobo faminto rasgando a própria lua.

Os Beatles passam flutuando, vozes de ouro velho,

costurando paz sobre o ruído, como se Lennon ainda sussurrasse ao mundo:

“o amor é simples, somos nós que complicamos…”

O rock sabe ninguém aqui é tão simples somos mais complicados que nossos próprios nomes

Os Stones chegam cambaleando, bocas vermelhas de noites sem fim, e Jagger gira o corpo como quem desafia o tempo a quebrá-lo.

Mas o tempo, covarde, assiste de longe.

A solidão dança descalça no meio do palco, batendo palmas lentas, irônicas, porque ela sabe que todo roqueiro

é uma catedral rachada cheia de eco, cheia de sombra, cheia de amor que nunca encontra casa.

E o amor… esse amor platô, esteira infinita onde os dias se arrastam, onde dois corpos nunca se encostam

mas sempre se procuram.

É um amor sem toque, mas com incêndio suficiente

pra iluminar a noite inteira.

O rock roll segue girando, engolindo fumaça, luz vermelha,

gargantas que se partem, corações que não voltam.

E cada banda, cada verso, cada ferida vira tijolo na catedral do barulho perfeito.

E no fim, quando o último acorde se cala e a cidade respira em silêncio, fica só aquela sensação antiga que a música não salva todo mundo… mas salva você sempre que precisa ser salvo por uma nota de uma guitarra