Rock Roll o poema é em Carne Viva
Os óculos do Jhon brilham como duas janelas tortas onde o mundo se reflete quebrado, meio psicodélico, meio febril, parecendo que cada lente segura um universo pronto para desabar num acorde de guitarra...
O olhar Pholl atravessa a madrugada, um farol embriagado de sonhos velhos, que não sabe se procura um rosto que foge nas letras mas olha e isso já é canção é a música então ele vem na fumaça do tempo Kurt Cobain, fantasma de flanela, soprando cinzas de tristeza...
O palco que nunca dorme a Nirvana vibra no ar como um uivo elétrico ulula a pólvora escorrendo pelas mãos dele
sem apavorar ninguém porque o público inteiro já nasceu queimado...
No canto da lembrança, Axl Rose abre a garganta
e solta pétalas afiadas; cada grito do Guns N’ Roses
é uma faca cantando amor e desespero.
Slash, com a cartola do caos, desenha labaredas com seis cordas,
e o solo ruge como um lobo faminto rasgando a própria lua.
Os Beatles passam flutuando, vozes de ouro velho,
costurando paz sobre o ruído, como se Lennon ainda sussurrasse ao mundo:
“o amor é simples, somos nós que complicamos…”
O rock sabe ninguém aqui é tão simples somos mais complicados que nossos próprios nomes
Os Stones chegam cambaleando, bocas vermelhas de noites sem fim, e Jagger gira o corpo como quem desafia o tempo a quebrá-lo.
Mas o tempo, covarde, assiste de longe.
A solidão dança descalça no meio do palco, batendo palmas lentas, irônicas, porque ela sabe que todo roqueiro
é uma catedral rachada cheia de eco, cheia de sombra, cheia de amor que nunca encontra casa.
E o amor… esse amor platô, esteira infinita onde os dias se arrastam, onde dois corpos nunca se encostam
mas sempre se procuram.
É um amor sem toque, mas com incêndio suficiente
pra iluminar a noite inteira.
O rock roll segue girando, engolindo fumaça, luz vermelha,
gargantas que se partem, corações que não voltam.
E cada banda, cada verso, cada ferida vira tijolo na catedral do barulho perfeito.
E no fim, quando o último acorde se cala e a cidade respira em silêncio, fica só aquela sensação antiga que a música não salva todo mundo… mas salva você sempre que precisa ser salvo por uma nota de uma guitarra
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