Salto e fuga
Nos vultos do tempo desloco,
entre relógios calados e dias que escorrem
como flechas de luz e sombra.
Os sons, suprimidos, ecoam dentro de mim
num silêncio que pensa.
Nas minhas noites, salto entre sonhos,
navego lembranças que o vento não leva.
Talvez um dia alguém escreva sobre mim
sobre a cela de um fardo invisível,
sobre o peso de compreender demais.
Como os ponteiros sangram a alma,
em cada giro uma memória,
em cada hora um adeus o mesmo adeus
Recordações se ramificam como raízes
em solo de tempo não esquecido
A luz tem frequência que não entendo,
mas caminho sobre ela, cego e lúcido,
ouvindo o som do que não existe.
Despeço-me em poesia
pois elogios não detêm o que parte,
nem fazem voltar quem se perdeu.
Hoje, a lua que vejo está costurada no céu,
com um manto bordado de ausências,
borrifado de estrelas que não me reconhecem.
Rever o vazio é tocar aquele dia
a vontade insiste, a mente resiste,
mas volto ao deserto de estrelas,
onde a saudade é moradia,
e nada resta por lá,
pois a sequência… já vivi.
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