Escritas

A Pathétique de Tchaikovski

Claudio de Jesus

 

As putas do Bukowski

apreciam um bom

Vivaldi

 

Seus bêbados,

seus ladrões e

os suicidas

papeiam sobre cavalos,

proseiam sobre Rimbaud 

e versam sobre Van Gogh

 

E até seus assassinos 

aumentam o volume

do rádio 

quando entoa a 

Pathétique!

 

Agora,

o meu vizinho,

— engenheiro

diplomado pelo MIT,

motorista de um Scénic,

pai de Arthur e

Laura Alice —

reclama que

ler Machado

não passa de uma chatice,

põe no zap

que o Buarque

é veado e

bolchevique,

e arregaça 

o som do áudio

quando escuta um

Zé Henrique...

 

(Queira Deus

que no meu

rádio

jamais toque

a Pathétique!)