Escritas

Além do Adeus

sebastiao_xirimbimbi

O destino, feito vento,
soprou-nos para margens distintas.
E o amor que era chama acesa,
Transformou-se em lembranças e cinzas.

Ainda assim, levo comigo
a doçura do que poderia ter sido,
um eco de eternidade
que não se apagará no vazio.

Pois amar também é perder,
é cuidar mesmo de longe,
é desejar que sejas feliz,
mesmo que não seja ao meu lado.

Da lágrima nasceu a esperança,
e da perda, a fé no recomeço.
Pois cada fim é semente,
e cada adeus carrega um amanhã.

Se não foste tu o meu sempre,
será aquela que o tempo me reserva.

Nos meus olhos, um oceano,
nos meus passos, o vazio.
E na alma, a certeza amarga:
o amor também sabe ser silêncio.

Se um dia lembrares de mim,
não será com mágoa, mas com ternura.
Pois até no não ter,
o meu sentir foi verdadeiro.

Não nego: doeu,
mas da dor nasceram sementes,
e dos cacos brotou coragem.
Pois até no fim existe começo,
até no adeus mora um amanhã.

Assim sigo, com o coração aberto,
crente no tempo e no recomeço.
Pois se não foi contigo,
será com aquela que me espera além do tempo.

Carrego a verdade nua:
machucou, ficou vazio.
Mas aprendi: até o amor
às vezes não é suficiente.

Não te culpo, não me culpo.
Apenas seguimos, estranhos com muitas boas lembranças.

Por: Sebastião Xirimbimbi