RETALHOS

Eu era uma colcha velha,
Remendada com retalhos,
Não servia para nada,
Nem para forrar armários.

Meu tecido era frágil,
Por vezes até podre,
Nada se encaixava,
Eu ficava jogado num canto.

Era noite em minha vida,
O sol não mais brilhava,
Era carta fora do baralho,
Na verdade, perdida.

E debaixo de nuvens escuras,
Que prenunciavam tempestade,
Eu passava por agruras
De um tempo de maldades.

Chorei, sorri, chorei novamente,
E o choro não cessou,
Foi intenso e constante,
E, por fim, me colapsou.

Eram mortos os meus sonhos,
Pesadelos muito duros,
Eu cambaleava pela vida,
Apoiando-me em velhos muros.

E a vida me achincalhava,
Me colocando para baixo,
Na lama eu me atolava,
Esfriando o meu facho.

E assim foi até agora,
Subi e desci tantas vezes,
Fiquei mais no fundo,
Afogado em meus erros.

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