Escritas

A Pétala da Paixão

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A gente tem essa mania de achar que a paixão é fogo de artifício: intensa, barulhenta, imediata. Que ela chega explodindo tudo, varrendo a rotina com suas cores vibrantes e deixando a gente sem chão. Mas, às vezes, a paixão é sutil. Quase tímida. E demora pra florescer.

A paixão é como a pétala de um cravo que desperta depois de um longo inverno.

Bonito, né? E verdadeiro. Porque, no fundo, a paixão é resistência. Ela sobrevive ao frio, à espera, às fases em que tudo parece cinza. Ela dorme em silêncio, mas não

desaparece. Fica ali, germinando por dentro, até o dia em que, sem avisar, resolve desabrochar.

E não estamos falando só de paixão por alguém — mas pela vida. Por um projeto, por um sonho antigo, por você mesmo. Às vezes, a gente passa por invernos emocionais sem fim: desânimo, rotina pesada, coração em modo avião. E acha que a paixão foi embora de vez.

Mas não foi. Ela só tava recolhida, se preparando. Porque até a flor mais linda precisa de tempo pra atravessar a terra escura antes de tocar o sol.

Quando ela volta, volta como uma pétala: delicada, mas cheia de potência. Um sinal de que ainda há beleza, ainda há desejo, ainda há coisas que fazem o peito vibrar. E aí, tudo ganha cor de novo.

Então, se você está atravessando um inverno, não desanime. Ele não é o fim, é só o intervalo. E mesmo que agora pareça tudo estéril, frio ou sem graça, saiba: a paixão vai voltar. Mais madura, mais sincera, mais sua.

Porque a vida, como o cravo, sempre encontra um jeito de florescer outra vez.