Onde Se Tenta Fazer a Vida Plena
Um novo fim do mundo chega toda semana,
Redes sociais alargam a solidão,
A fome global mantém sua infinitude.
Países imperialistas colidem por domínio global,
E a violência é uma rotina bastante trivial.
E o homem nisso tudo? Afunda nos destroços da civilização.
O presente é um soco diário dado nos neurônios,
Onde a humanidade, tosca, egoísta, está perdida.
Mas há um fio, um laço de contentamento:
O amor, não uma mera paixão,
Mas aquele que resiste, que se tece em dias de penumbra.
Mãe, amigos de longa data, presenteiam com
Palavras e atos que aquecem dias frios.
Cada encontro é um momento raro,
Pois tudo um dia vira saudade.
Ninguém avisa, nada apara, ideia não prepara
Para a dor que fica quando eles se vão.
Só resta o eco das risadas antigas,
O espírito que sangra, que arde, que lamenta.
A vida se ergue, se faz plena nos afetos,
No ombro ofertado, nas longas conversas,
O sentido é pedra lapidada no gesto humano:
Quem amamos, quem precisamos.
Nas trocas, nas reuniões, a existência se torna mais nobre.
Neste mundo estéril, cemitério de utopias,
Cada gesto contra é um ato de revolta.
Subir este Everest de tédio e derrota,
E no peito, bombear alguma vontade avulsa.
Lapidar o mundo, esculpir toda dor,
Viver em voz ativa, rebelar-se contra o apodrecido.
No fim, resta o que foi vivido,
O abraço, a atenção, o carinho, o pão repartido.
E se o planeta insiste em desmoronar,
Que venha abaixo. Mas que eu caia de pé,
Com memórias, amores e punhos cerrados.
Português
English
Español