Da Borda
O sol nasce e seus corcéis.
Os dias explodem, fragatas sem pavio
sou sucessivamente sammis, ossos de crochê
muralhas sem borda,
quilha que desnorteia
a nau dum norte súbito
Um capotado um flaneur um aluado falso autista
recarregando as energias negativas
para um meltdown
contra toda a positividade tóxica
ou um shutdown que gere
ao menos um bom poema
O que me esgota não tem nome
mas é o que nega flores à primavera
Comi um livro novo, indigeri seus albores
de açúcares engenhados
evadi-me inescapável por intra Mongólias
equatotiais, Aconcáguas de chão
fustiguei a chibata dos séculos, e a espada
amendoou-se até granada:
não poderia meu estupor (leitwort, leitmotiv)
malhar-se até canção?
Olho nos olhos ruivos, rolhos uivos, uilhos lhovos
olhos ruivos crucificados no intróito,
na soleira da causa
Meu coração interdiz a meu cérebro:
acalma, mulato
e agradeça a Deus a luz não ser pedras,
chocando-se contra tudo.
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