EU QUERO, MAS NÃO TENHO
Quero ser feliz,
Nem que seja por um instante,
Dois minutos de sossego
Seria reconfortante.
Essa vida que me pisa,
Faz de mim gato e sapato,
Joga-me na lixeira,
Alimento os ratos.
E assim passo o tempo,
Sendo massacrado,
Eu era como o vento,
Vagava por todo lado.
Hoje sou um retrato,
Triste e desbotado,
Quase sem imagem,
Estou sendo deletado.
E o rolo compressor
De angústia e sofrimento,
Vem em cima com terror,
Achatando-me no pavimento.
Choro por sei lá o quê,
Pela morte que devo ter,
Por um futuro ao qual vou me abster,
Porque sei que em breve tenho que morrer.
Mas eu quero ter um pouco de vida,
Que ela seja bem tranquila,
Só um dia sem tormentos,
Sem desgraças e nem derrotas.
Eu não quero riqueza,
Nem ser o mais bonito,
Só desejo que a vida,
Me dê um pouco do que nunca tive.
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