Fragmentos

Remisson Aniceto
Remisson Aniceto
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Dorme, que a vida é fracionada em dias e noites 
como o sol que nasce e morre a cada dia. 
Vive intensamente tuas dezenas, centenas 
ou milhares de dias e dorme, dorme serenamente 
para talvez despertar para um novo dia, uma nova vida, 
vida dividida em vidas, 
como quando abrem-se as cortinas e, 
primeiro ato, cena um, a vida entra em ação! 
E, segundo ato, segunda cena,
vários atos e várias cenas 
e o pano desce. 
Noite. 
No seguinte dia, se se vive, reinicia-se 
involuntariamente a mesma peça 
em vários atos, 
em várias cenas 
com talvez o mesmo e mais outro e outro elenco. 
Em cena encena naturalmente
que a vida é fracionada em tomos, 
dorme, vive, vive e dorme serenamente, 
que na medula da vida tudo surge de repente, 
sem preparo, sem rubricas. 
Tanta coisa 
nascemorrenascemorrenascemorrenasce... 
todos os dias, todas as noites. 
Isto, enquanto há olhos, vê-se. 
E se não se acorda, sabe-se? 
Atores de palcos antigos, de peças passadas, 
de lidos tomos, de atos findos 
ainda não me disseram.
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