Preciso morrer

Preciso, urgentemente, da cegueira,
O véu da visão não me permite, com nitidez, enxergar.
Preciso, sem delonga, da surdez,
Pois a audição me impossibilita de auscultar...

Necessito dissipar o olfato,
Esvaecer também o tato,
E sentir o suave cheiro e o apaziguante abraço
Que meu Mestre me tem dado...

Urge estacar os pensamentos,
Pois preciso muito pensar.
Tenho de me libertar da liberdade
E aprisionar-me, para livre me tornar...

Das amarras que tornam inexequível ir aonde o Mestre vai,
Anelo apreender o que Ele costuma ensinar,
Ver as grandes obras que, a cada momento, tenta nos mostrar,
E o sexto é o único sentido para senti-lo e com Ele dançar...

Vivo em coma, sem data à vista para desadormecer.
E menor é a possibilidade quanto mais o tempo esvaecer.
Urgentemente, careço morrer para não morrer.
Quão grande é a vida... Preciso morrer para viver!

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