𝑼𝒎𝒂 𝒊𝒍𝒖𝒔ã𝒐 𝒄𝒉𝒂𝒎𝒂𝒅𝒂 𝒆𝒙𝒊𝒔𝒕ê𝒏𝒄𝒊𝒂

Finca os olhos naquela nuvem,
Com substância e forma,
Ocupa espaço e tem imagem...
Ela é como aquela pessoa...

Volte a olhar para o céu,
Vês que a nuvem desapareceu?
Entre ela e a pessoa há só uma diferença:
O tempo de existência...

Porém, há também uma semelhança:
É mera ilusão existência de ambos.
Pelo menos, em última instância,
É mera vaidade a vida dos mesmos...

Há, entre um feto e um homem morto,
Apenas sonhos e corridas atrás dos mesmos.
A vida não é quanto tempo você vive,
E sim quanto você vive nesse tempo...

Meus olhos viram mais de cem ex-seres,
Que hoje não são, ou são não,
Cujos projetos, poderes e vaidades
Não os impediram de ir abaixo do chão.

Vi apagarem-se muitas chamas de sonhos,
Desfazerem-se prepotências medonhas.
Foram-se aqueles que ontem eram são,
Mas hoje são eram...

Eh! A vida é só um sonho lindo,
E a morte, o despertar dele.
E como todo despertar de um sonho belo,
É maldito e dolorido...

Cada vida é só uma linda canção,
Pena que nos gastamos inteiros apenas na dança...
É infinitamente fina,
A parede entre realidade e lembrança.

Luanda, Janeiro de 2025

 

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