O Menino Rebelde e as Curvas da Vida

Ainda na infância, olhava o nada, parado, e ali se perdia. 

Pensava, num conflito interior, 

Desejos confrontados com a dura realidade.

O que fazia ali, nesse imenso palco?

 

Interrogações silenciadas dentro de si,

Caminhava em desertos, oásis inalcançável de bonanças.

Questionava dores, desigualdades, incessantemente,

A falta de respostas incendiava a mente.

 

O mundo sem sentido, ao seu redor,

Se via um ator sem direção na vastidão das cidades.

Chegando à adolescência, rompeu com tradições religiosas,

Rejeitou hipocrisias, trilhou caminhos diferentes da família.

Aceitava ser a ovelha negra, o herege, entre muitos.

 

Arquiteto de seu destino, seus próprios dias, traçou.

Recusou as ilusões coletivas, o senso comum ignorou,

Coragem em contínuo ato, seus valores construiu.

Sem dogmas, misticismos, cruel realidade,

Extraiu o melhor do presente, futuro assim alcançava.

Absorveu o absurdo da vida, o ato da rebeldia era diário.

Criticava comportamentos, tentava amar, criar

E alterar as coisas em um mudo universo.

 

O absurdo como fardo, sobre os ombros,

Preenchia com sentidos, com alternativos valores.

No palco da existência, revoltava-se e recriava,

Com paixão, abraçava as curvas da vida e assim aproveitava,

Enquanto a fatalidade certeira da morte não o alcançava.

A febril realidade pintava com cores de sentido,

Amor e atividades prazerosas, a vida assim gozava.

 

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