O QUE SERÁ?
O que será que é?
Sei não, meu senhor.
Pode ser bicho de pé,
Ou a vida sem pudor.
Despudorados!
É o que são.
Fazem tudo pelos cantos,
Não têm consideração.
E na surdina fazem acordos,
Para eles mesmos se darem bem,
Cada qual puxa para si
O que seria de outro alguém.
E depois dão migalhas,
Como fossem santos,
E o povo fica feliz,
Ainda sofre uns descontos.
Andam dizendo ser honestos,
Que são pobres coitados,
Mas quando viajam,
Vão para paraísos de endinheirados.
Nada fazem ou fazem nada,
Querem apenas o seu naco,
Não abrem mão de nada,
Na eleição, puxam o fino seu saco.
Sei lá o que são,
Talvez máfia, daquelas bravas,
Ou mesmo uma grande facção,
Sei que comem por dentro, feito larvas.
E depois distribuem bondades,
Como fossem homens santos,
Nelas há tanta maldade,
Nem ligam para o seu pranto.
Enquanto há pratos vazios,
Os deles estão cheios,
Para eles o melhor regalo,
Para os pobres, só o receio...
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