INCRÉDULO
Eu não acredito na morte,
Também não creio na vida.
Muito menos que existe sorte,
Essa ilusão descabida.
Não creio em mim,
Nem em meus sonhos,
São imagens distorcidas,
Quadros medonhos.
Acredito em nada, não,
Nem naquilo que estou vendo,
Que só existe para mim,
Porque estou querendo.
E se o céu é azul
Por que a chuva é incolor,
A neve branca e o granizo transparente?
A nuvem cinza é um horror!
Sou daqueles que não se abalam
Com os acasos da vida,
São todos tão estranhos,
Simplesmente não existem.
E se é automóvel
Porque precisa de motorista?
Se ele anda sozinho
Não precisa de quem o assista.
A escada que sobe
É a mesma que desce,
O homem que sorri
É o mesmo que chora.
E se estou aqui,
Não posso estar lá fora,
Então, aproveita e vai ver,
Se eu estou lá na esquina.
Ao ar em movimento
Que se desloca sem destino,
Deram o nome de vento,
Puro desatino...
Eu não acredito
Que escrevi esse texto,
Mas se você está lendo,
Ele existe, reconheço.
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