Escárnio ao tempo

As nuvens e as árvores não me deixam ser.
O fumo do fogo da noite não me deixa ver e  
as paisagens banhadas pelo sol são de ninguém.
O pó dos faróis à beira-mar não me deixa ser e a
tinta das casas vermelhas acabadas de pintar por homens que são não me deixa ser.
Mas eu nem sequer quero ser! - vem comigo também.
Vamos acercar-nos do abstracionismo de não ser: vamos tocar no impossível e
cumprimentando-o, saudando-o e beijando-o, tornar-nos-emos nele.
Anda pintar o mundo de verde e azul, porque verde e azul ele já não é.
Vamos parar o tempo e as graças, planando na brevidade do momento.
O tempo nunca me deixou ser.
O tempo é um ladrão
de sonhos e de
mortes duradouras!
Escárnio ao tempo, que nunca me deixou ver!

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