APANHANDO DA VIDA

A vida só me bate,
Cada vez com mais força,
Já estou todo lascado,
Enterrado numa poça.

E a surra não acaba,
Um dia apanho de cinto,
No outro de vara de bambu,
Na verdade nem dor eu sinto.

Vou apanhando e caindo,
Por vezes me levanto,
Já estive desistindo,
Mas calo o desencanto.

Passo por lutas desiguais,
Todas elas parecem perdidas,
Mas eu apanho, caio, só para descanso,
Depois volto, não bato, e apanho mais.

É assim desde sempre,
Nem me lembro se tive folga,
Todo dia uma porrada,
Que a pele me esfola.

Já pedi para parar,
E não fui atendido,
Eu tenho mesmo que aguentar,
Por viver tão desprendido.

Fico só nessa selva,
Ninguém quer estar comigo,
Evito bater em portas,
Pois não sou mais atendido.

Então vago pelas ruas,
Como um cão vadio,
Minhas costas nuas,
Sangram como um rio.

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