Escritas

Temor dos deuses

António Patrício Pereira

Os meus olhos
como dois náufragos,
cansados,
vão lendo o mover das águas
já sem olhar
Nos ossos sinto o gotejar da chuva
sobre as pedras da minha cidade…
Tudo é água e cinzento;
E os homens,
temerosos,
lamentam a vida num fio de voz
para não ofender os deuses.

António Patrício Pereira