É UM SOPRO

Pode crer, meu caro,
É um sopro daqueles,
Que de tão forte
Destrói tudo por onde passa.

É um vento desnorteado,
Vai para lá e para cá,
Corre atrás dos incautos,
Não deixa ninguém andar.

Ventania incessante,
Faz a árvore tombar,
Empurra tudo o que encontra,
Tira as coisas do lugar.

Venta e não para,
Não adianta nem rezar,
Esse vento vem do alto,
Para a todos esmagar.

Vento vai e vento vem,
Levanta a poeira do lugar,
Joga ela nos olhos,
A fim de nos cegar.

E tem quem sopra mais,
Para o vento aumentar,
Querendo tirar a paz,
De quem só precisa descansar.

E o vento varre tudo,
Até o que não é lixo,
Torna a rua deserta,
Vai todo mundo para a toca
Feito um monte de bicho.

E quando pensamos que foi embora,
Ele volta sorrateiro,
Quer levar com ele,
Até o último encrenqueiro.

É um sopro, como dizem,
De muita raiva, sim senhor,
É a ira de Deus, nosso criador,
Com o homem que se diz de bem,
Mas que é o próprio Belzebu.

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