Roleta-Russa
Os primeiros passos por degraus sonolentos
Uma borboleta passa por mim,
Dando rasantes pelo meu queixo
Nem ao menos lhe dei um beijo
Ela sumiu ao primeiro lampejo.
Minhas mãos percorrem pela parede
Teias de aranha, feitas de seda.
Prendem os homens em pensamentos sinistros,
Os queimam em seus próprios pecados.
Mortos em uma prisão, de onde não se vê saída.
Um fim do dia, que não se inicia.
No alto, vejo janelas
D’onde partem sombras
Delirantes e alucinantes
Dedos finos que acariciam
A alma do aflito.
Um corredor de portas se aventura
Por um mundo de penúria
Não importa minha decisão
Destino é ilusão
Eu salvaguardo decepção
Por onde não faço previsão.
Se abro da porta dos sonhos
Sigo sempre perdido
Seguindo os rastros
Sem saber se estou vivo.
Se aceito das portas ocultas
De onde me fazem promessas
Uma vida idílica
Cheia de maravilhas.
O preço? Abandonar meus anseios.
Me mudar por inteiro.
Largar daquilo que nunca deu dinheiro.
Aceitar que a vida é apenas um preço.
Se abro das portas das promessas,
E abandono o meu ser
Encontro apenas
Um revólver carregado,
Com uma única bala.
Se for para brincar de roleta-russa,
Mantenho meu ser intacto.
Meu destino inaudito.
Se for para aceitar largar tudo,
E aceitar das promessas do meu luto
Preencho com outras cápsulas,
E evito do infortúnio
De se continuar neste mundo.
(13/09/2023)
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