Escritas

Roleta-Russa

Sérgio B Vianna

Os primeiros passos por degraus sonolentos 

Uma borboleta passa por mim, 

Dando rasantes pelo meu queixo 

Nem ao menos lhe dei um beijo

Ela sumiu ao primeiro lampejo. 

 

Minhas mãos percorrem pela parede

Teias de aranha, feitas de seda. 

Prendem os homens em pensamentos sinistros, 

Os queimam em seus próprios pecados. 

Mortos em uma prisão, de onde não se vê saída. 

Um fim do dia, que não se inicia. 

 

No alto, vejo janelas 

D’onde partem sombras 

Delirantes e alucinantes 

Dedos finos que acariciam 

A alma do aflito. 

 

Um corredor de portas se aventura 

Por um mundo de penúria 

Não importa minha decisão 

Destino é ilusão 

Eu salvaguardo decepção 

Por onde não faço previsão. 

 

Se abro da porta dos sonhos 

Sigo sempre perdido 

Seguindo os rastros 

Sem saber se estou vivo. 

 

Se aceito das portas ocultas 

De onde me fazem promessas 

Uma vida idílica 

Cheia de maravilhas. 

 

O preço? Abandonar meus anseios. 

Me mudar por inteiro. 

Largar daquilo que nunca deu dinheiro. 

Aceitar que a vida é apenas um preço. 

 

Se abro das portas das promessas, 

E abandono o meu ser

Encontro apenas 

Um revólver carregado, 

Com uma única bala. 

 

Se for para brincar de roleta-russa, 

Mantenho meu ser intacto. 

Meu destino inaudito. 

Se for para aceitar largar tudo, 

E aceitar das promessas do meu luto

Preencho com outras cápsulas,

E evito do infortúnio 

De se continuar neste mundo. 

 

(13/09/2023)