O Sorriso
João António
Reparei nesse sorriso na maré baixa,
andava com galochas na praia e senti
que as nuvens, lá no horizonte, sorriam.
Não havia água, mas havias tu,
auscultando o palpitar do meu coração enfadado.
Deste-me a mão e só me apercebi depois
da importância que o toque tinha para nós os dois.
Nos dias ensolarados que me deixaste
preferi nunca mais sonhar,
o sorriso é uma raridade
muito difícil de encontrar.
Podia ser ilusão, podia ser tudo e mais,
bateste com as ondas nos meus pés,
ardiam-me os olhos do sal.
Quando olhei para o lado
já não estavas lá.
Deixaste aquele ardor nas minhas mãos,
uma comichão estranha e inexplicável,
uma sensação crónica na pele
e um eterno anseio no peito,
que de eterno, dizia para mim próprio,
não tinha nada.
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