Escritas

logo serei o que existo

Pedro Rodrigues de Menezes

talvez não seja 
mais que isto
menos aquilo
produto inteiro
real racional
gramática verbo
verborreico sangue
ponto luz corrente
arde-me o crânio
numa estrada luz
exactidão isóscele
coração para o pão
pele pedra sal e sol
ardem distâncias
o velho e a vela
o povo e o polvo
o braço e o baço
ver é beijar no Porto
mãos cruas que vêem
ensimesmada nudez
pobre infinda miséria
o céu aberto em ferida
sombra terror tremor
logo serei o que existo.

(Pedro Rodrigues de Menezes, "logo serei o que existo")