Saudade
Sangue gelado,
Da frieza consequente da cólera, diria.
Cólera sobre as palavras, que mal soube recitar,
Que em dia enevoado
Baço e confuso, deixei escapar.
Dia errantemente bem vivido,
Com certezas incertas
De tanta falta de saber.
Nem a tal ente querido
Soube confiar meu pacífico render.
Vocábulo ingrato, insatisfeito
Que se fez o sétimo
Mais difícil de traduzir.
Pois admito minha falta de jeito
Mas não o sei sequer exprimir.
Orgulho, arrependimento,
Talvez até ciúme.
Desenterraram em mim
Este tão inexplicável vento.
Vento que me prende e desespera por fim.
Saudade minha. Envergonhada,
Soluçada a cada minuto de distância.
Ainda me esperas, secreto
Na tua verdade sussurrada?
Trago comigo a nossa história, nosso dialecto.
Mas no fim,
Talvez pouco mais reste que este eterno afecto.Agosto de 2008
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