Escritas

chronos

yuri petrilli
flutuo, enquanto a chuva não cai,
ao redor dos anéis de saturno, outra vez.
do alto deste ponto, me avisto noutro ponto.
de lá, porém, eu não me avisto. estou ocupado demais
amando as coisas que já não amo,
brincando em castelos de areia agora desfeitos,
dormindo à sombra de uma luz antiga.
sorrio: somos iguais. neste instante, noutro instante,
também me vê quem não me vejo.
ele que também sorri de meus oásis
enquanto se prepara para a morte.

unidos pelo ponteiro e separados por suas voltas
– um estalido familiar, à meia noite, anuncia: é tudo real.
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