Selvagens

Pólvora em cada gotícula,
em cada fala explosiva
onde a mente perfurada
sangra emoção desejosa.

E os seus lábios contraídos
tangem o contrariado,
enrijecem poesia
e beijam o às da prosa.

Sua mão estendida ao léu,
estátua da revolta,
agarra a fera incontida
como a chispa que se empolga

e ruge, tão absoluta
quanto o ágil palpitar
de um coração corrompido
pelo aceno da lascívia.

Quero-te assim, volumétrica
em qualquer desvelamento
daquilo que somos: bichos
em um cárcere de asfalto.
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