Como parar?

Seu rosto é a seda
que se estende, irretocável,
sobre o lusco-fusco
das montanhas azuis.

Meu rosto é espinha
e tristeza.

Seu corpo é Vênus
para além de Milo, calipígea,
mármore bronzeado
pelo atravessar do coração.

Meu corpo é gordura
empilhada.

-

Em gargalhadas e sorrisos,
esqueço que existo
e sinto-me feliz 
ao seu lado.

Entre olhares e silêncio,
desperto de súbito
e concebo, enfim,
nosso retrato:

és uma Helena,
e eu, um Nosferatu.
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