Paixão
A vida segue fria
Como amarga incógnita.
Magoamos sem querer,
Apaixonamo-nos sem poder escolher.
E o tempo corre-nos entre os dedos
Sem que nos apercebamos.
Sorrimos sem compromisso
Cativamos alguém especial
E, num instante,
Um sopro leva-a para longe
Pondo à prova
Tudo o que tomávamos
Como certo, irreversível.
Efectivamente fomos dando à vida
Muitos trunfos e ilusões,
Paixões, amores e desamores,
Presenciando, assim,
Ao mais apelativo desfile
De emoções e sensações.
Admitamos então que
A nossa vida é bem mais complexa
Que a nossa simples existência.
Existência apenas conduzida
Ao ritmo dos instintos
Que nos permitem
As decisões mais erradas,
Precipitadas...
Falhamos sem razão,
Sem explicação.
Sem legítimo fundamento
E depois?
Com que pano limparemos
As lágrimas que nós próprios
Fizemos cair no rosto
De quem menos merecia?
E perguntas tu:
"Chamas a isto amor?"
Sabes o que te respondo?
"Não, prefiro chamar-lhe paixão.
Paixão desenfreada.
Frustrantemente indomável..."
Agosto de 2006
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