31/10/2023
Eduardo Becher_2
Minha pele tornou-se vermelha naquele local
em que me tocaste por impulso e convenção.
Manchas vermelhas e presentes da memória,
as únicas coisas que flutuam no éter do raciocínio.
Espalham-se em mim, como células cancerígenas.
Talvez realmente o sejam, mas que posso fazer?
Tudo que sei é que, até o momento, tenho sido um aracnídeo.
Escalando as muralhas de um passado inexistente
para descobrir-se preso nas teias de um futuro falso.
O que me resta é somente a mancha vermelha no braço,
estigma dos sorrisos cordiais e impróprios.
Há algo mais obsceno que a condescendência?
O olhar inocente e trôpego de quem busca conhecer
aquele fogo-fátuo no centro do bosque.
Perseguir ilusões. Nada mais que guiar-me
pelas teclas brancas do seu sorriso...
nada mais que afundar meu pé na lama espessa
ao tentar imitar a leveza em teu caminhar....
nada mais que ouvir o arfar da sua excitação
direcionado para qualquer coisa fora de mim.
Não minta. Seja completamente verdadeira.
No fundo, seu gênio ultrapassa uma mancha vermelha
crescendo na periferia do meu braço.
Mais que um objeto. Mais que paixão, doença ou tédio.
Uma pessoa. O que nos dá o direto de sermos pessoas?
Todos esses ritos de transporte e culpa.
A irregularidade do quadro em nossos quartos.
O ritmo das máquinas e das batidas do pé.
Tudo isso é apenas um ensaio,
não há plateia, diretor ou palco que o sustente.
Risco meu nome do roteiro e abandono meu corpo
para que a mancha vermelha tome o meu lugar.
Dessa vez, sendo mais que mero elemento.
em que me tocaste por impulso e convenção.
Manchas vermelhas e presentes da memória,
as únicas coisas que flutuam no éter do raciocínio.
Espalham-se em mim, como células cancerígenas.
Talvez realmente o sejam, mas que posso fazer?
Tudo que sei é que, até o momento, tenho sido um aracnídeo.
Escalando as muralhas de um passado inexistente
para descobrir-se preso nas teias de um futuro falso.
O que me resta é somente a mancha vermelha no braço,
estigma dos sorrisos cordiais e impróprios.
Há algo mais obsceno que a condescendência?
O olhar inocente e trôpego de quem busca conhecer
aquele fogo-fátuo no centro do bosque.
Perseguir ilusões. Nada mais que guiar-me
pelas teclas brancas do seu sorriso...
nada mais que afundar meu pé na lama espessa
ao tentar imitar a leveza em teu caminhar....
nada mais que ouvir o arfar da sua excitação
direcionado para qualquer coisa fora de mim.
Não minta. Seja completamente verdadeira.
No fundo, seu gênio ultrapassa uma mancha vermelha
crescendo na periferia do meu braço.
Mais que um objeto. Mais que paixão, doença ou tédio.
Uma pessoa. O que nos dá o direto de sermos pessoas?
Todos esses ritos de transporte e culpa.
A irregularidade do quadro em nossos quartos.
O ritmo das máquinas e das batidas do pé.
Tudo isso é apenas um ensaio,
não há plateia, diretor ou palco que o sustente.
Risco meu nome do roteiro e abandono meu corpo
para que a mancha vermelha tome o meu lugar.
Dessa vez, sendo mais que mero elemento.
Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
2023-11-01
Meu caro amigo...você se tornou um erudito da palavra amar. parabens ótimo texto. ademir.
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