31/10/2023

Encara-me com tua presunção
e deixe-me contorná-la.
Acenos de cabeça e cordas
amarradas no cotidiano.
Sinto tudo enquanto sonho,
como a morte de um inseto
esmagado pelos dedos
de outras presunções.
Deixe-me no sarcófago,
conjecturando sobre a fumaça
que carrega toda essa gente,
apressada para sabe-se o que,
cegas para tudo que há por vir.
Devir. Deixar. Derrapar
e capotar na ribanceira.
Antes de cair e morrer, relembrar
aquelas vozes que afirmavam:
"burro, burro, burro".
Olhem para este burro, vejam se não é
um belíssimo exemplar do espécime.
Confuso, cansado, corrompido
pelas agruras do toque 
entre lábios nunca desejados.
Não há mais tempo algum,
e isso é maravilhoso.
A pelugem da morte em epiderme...
espalha meus pensamentos
sobre a lataria amassada
e o diesel, serpenteado, pelo chão.
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