Escritas

ALUCINAÇÃO

José João Murtinheira Branco

Estousó, inconsolável, neste desejo ardente de devoção

Fechado,silenciado num tempo que passa sem ter hora

Numatranse de conflito, entre a verdade e a alucinação

Sintono peito o ardor que ateia um fogo que me devora.

 

Lentamentevai ardendo, num desejo louco de me consumir

Minhasmãos são chaga viva que se esforçam por se mover

Afugentandoesta alucinação, onde o presente não consegue fugir

Deum passado enlouquecido, que a memória teima em trazer.

 

Transpiro,gerando personagens distorcidas numa visão paralela

Nestaalucinação de figuras caídas, que deslizam e vão embora

Levadasnas águas dos meus olhos que em cascata caem fora.

 

Ardentenuma última prece, olho por dentro da frincha da janela

Esperandoque uma estrela arda num ocaso, num sinal resplandecente

Que suavize o sofrimento, perpetuado nesta alucinaçãoincandescente

João Murty
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