PEREGRINO
Sou um peregrino do tempo,
de alma corroída e sem saber fixar-me,
deambulo, numa saga buscando a verdade,
procuro no passado e no sentimento,
a eloquente razão para encontrar-me,
apagando a sombra, que me invade.
Como um samaritano percorro,
lentamente a estrada da expiação,
apenas um nada, preenche o vazio
espaço que no pensamento, escorro,
dissecado no processo de reflexão,
esconjurado do seu homizio.
Uma sombra amargurada,
no divino caminho da verdade.
uma mentira branca, sem sorte,
pérfida, escondida, dissimulada
um frémito, vibrante de ansiedade,
viaja na consciência, até á morte.
Não tenho origem, nem mundo,
esvazio as mágoas no fim de cada dia,
expio o fogo do passado que me aperta,
peregrino do tempo e na dor que me afundo,
minha alma hilota castrada, é água fria,
que apaga a chama e me liberta.
João Murty
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