Eu Espero

Dos pesadelos solta-se o medo

De não voltar a ver o verde da esperança;

A velocidade atroz com que os pensamentos

Se cruzam na auto-estrada da minha mente

Assusta-me exageradamente, sem perdão…

Sensações que se fundem no meu inconsciente

E emoções que forçam a porta

Da casa das lágrimas desesperadas, aprisionadas…

Confusão sussurrada aos meus ouvidos

Que de violenta e maldosa, abala a raiz do meu ser.

A corrida frustrada por algo inatingível

Algo que me foge por entre os dedos

E me cega de tanta inutilidade;

Noites demoradas devido às horas forçadas

Na lei frenética dos ponteiros do relógio.

Lutas, batalhas e confrontos perdidos no meu interior,

Que trazem por arrasto as culpas de ninguém.

As expressões esquecidas no caminho do absurdo,

O esforço em vão na altura em que parecia impossível.

Palavras soltas, fúteis e sem nexo

Que não trarão de volta a pessoa que procuro.

A metade do “eu” que adormeceu;

A razão deste texto não ser pintado de cor-de-rosa.

Mas eu espero até que a alma desperte do fundo do poço

Continuarei a esperar…

Abril de 2006

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