Escritas

I-XCVIII Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Há tempo sinto não ter mais meus mesmos sentidos,

sinto que a ambição empurra-me sem notar o que larguei no caminho.

E o pouco da ideia que tento buscar, perco nas mãos,

sem que o reflexo evite o chão, e chuto com um dos pés,

choro pela causa perdida, e por a sombra que me desequilibra

ser necessária para que eu tenha vida.

 

Às tantas guerras que me juntei,

sobrevivi e você esteve aqui, mas temi

por saber da inspiração que partirá daqui,

que não suportarei ao ver-te lutar,

perder-me-ei alucinando quem mais lá está.

Só me resta confiar e esperar.

Pois sou um tolo sem armas,

que segura a alma por belos gestos e palavras,

apenas por não ter mais nada.

 

E antes que acabe a noite, virá a mim,

encerrando a melancolia do cotidiano,

dando-me mais um pouco de sonhos mundanos.

Por Deus, perdoe-me por criticar o passado,

é intrínseco meu anseio pelo infindável,

reluto aprender nesta vida que o tempo é escasso.