Escritas

I-XCIV Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Pobres folhas pardas, onde a tinta se derrama,

pintando loucura com drama.

São portas para um cenário funesto, onde estive desde a infância,

até me tornar vivido e sem esperança.

Fundamentais à minha obra, são consequências de mim,

nada é sombra, e luz não me inspira assim.

 

O silêncio de hoje não é em vão,

veio para ver quanto guardei:

Inventando e multiplicando o que sei,

dei-me a muito mais do que realmente amei.

Lírico é o pranto, vivo do sono, efeito do ronco,

sempre alérgico, sendo enérgico, estando exausto,

é demais para um homem tão calmo.

 

Um dia contarei histórias, trarei a bobagem de outrora,

quebrarei conversas com poesias metódicas,

mas, por enquanto, obceco-me nesta obra.