𝑵𝒐𝒔𝒕𝒂𝒍𝒈𝒊𝒂 (2)
Ei, estrelas cintilantes! Aquelas que voam radiantes no céu, feito borboleta...
Nos conhecemos! Olhem para mim, talvez uma de vocês lembra.
Trocávamos olhares afincadamente quando eu era uma criança pequena,
No quintal, com a família, à volta das chamas e envolto em engraçadas conversas.
Só quero voltar à minha terra! Por favor, mostrem-me o caminho,
Pois este mundo me é tão estranho quanto frio.
Quero voltar para lá, onde não há primos nem vizinhos,
Pois primos são tratados como irmãos, e os vizinhos, como tios.
Para lá, onde a vida é mais simples e natural,
Onde a vida é mais real do que virtual,
Onde há tempo — salvo para alguns pais —,
E a família não se dissolve por orgulho e ocupações demais.
Minha alma sedenta anseia por aqueles momentos de alegria,
Onde as ruas são abarrotadas de brincadeiras e júbilo durante o dia,
Onde, à noite, todos estão em casa, em família,
E os mais velhos contam histórias enquanto brincamos com a vovozinha.
Por favor, levem-me em suas asas para aquele mundo...
Não quero ficar neste nem mais um segundo!
Um mundo tão frio, mas tão frio,
Que até os corações congelaram e ficaram endurecidos.
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Luanda, 27 de Fevereiro de 2023
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