Eu só. Eu, só.

Eu só. Eu, só.

É muito dolorosa possibilidade de te ver ir, e saber que isto independe totalmente de mim; é horrível ver que novamente se fora, e eu permanecera, da forma como sempre escrevo, indo, mas ficando, ficando, mas indo; é horripilante ter-te em momentos de trocas pequenas e afáveis calmarias, mas depois, voltar-me a arrepiar ao escutar seu nome; é lamuriante saber que você, ao menos que transpareça, possa ter a resiliência ou a capacidade de teatralização de não se importar comigo; é cortante não sentir que entrei em você como um sol no quintal, bem como não gozara em seu inferno; é estagnante ver sentir escorrer em meus olhos, lágrimas que são oriundas da minha experiência contigo; é lamentoso ainda te enxergar Amor sabendo que tal definição é fruto do Desamor o qual eu fora condicionado enquanto Ser; é aflitivo sentir-lhe numa terça feira a tarde, enquanto sei que nem nos momentos de carência, me sentirás; é constrangedor não conseguir passar-lhe; é excruciante não lhe ter da forma como imaginara, mesmo sabendo que a constituição das vivências não dependem intrinsecamente de nós; é terrível o sentimento de sentir que meu tempo voa, enquanto lamurio por algo que pra você, já esta definido; é lancinante saber que tudo seguirá normalmente sem mim; é desconsolador saber que és na verdade uma continuidade de uma sequência de deixas que a vida me proporcionara; é lamentável entender que és minha primeira experiência afetiva depois do processo de afroncentricidade e que tudo se resultara em uma tragédia emocional; é tormentoso ainda pensar em nós e sentir possibilidades de vida a dois e trocas amorosas; é desesperador colocar a palavra Amor e Você na mesma obra; é agoniante ver que, por mais que muito necessárias, minhas escritas tornaram-se um mar de despedidas; é consternante visualizar que não enxergas todas as minhas particularidades especiais enquanto Ser; é prostante sentir que há um bom e considerado lapso temporal, penso em Nós; é atribulante não conseguir-lhe acessar como você a mim eu deixo acessar; é comovente olhar para mim mesmo e ver o que estes atravessamentos me proporcionaram enquanto pessoa e o que eles tem feito comigo; é padecente ser submetido a contínuos processos de mortandade por conta de nós; é mortificante pensar na possibilidade de lhe ver ir, ir, indo.

Eu só não queria sentir-me atormentado, eu só queria que tudo isto logo se findasse para que assim eu abrisse a porta e a janela pra ver o Sol nascer.
39 Visualizações

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.