cartas e mais cartas e mais cartas
O amor é bom, não quer o mal, não sente inveja ou se envaidece.
Do meu eu para eu, do eu para vocês, doeu.
Tenho vivido a sanguinariedade, a melancolia existencial que me aflige é pulsante, cortante, machucante, tranpassante. Eu perdi talvez o que nem tinha conquistado, mas pra mim, eu perdi. Eu viajei sem ao menos tem saído de casa, eu me cortei e nem vi sangue saindo de mim. Talvez esta seja uma das piores dores. Talvez, talvez, talvez. Sempre o talvez fará parte do meu eu, até porque, eu não sei de nada, é materialização daquela premissa filosófica ‘só sei de que nada sei’. Eu não tenho certeza de nada, de nada eu tenho certeza.
Em dois dias, perdi dois eixos essenciais para mim, em dois dias, me perdi, não que eu já tivesse me achado, mas se estava em um labirinto, mais labirintado eu fiquei. Perdi, me envolvi, desenvolvi, mim, ti, perdi.
Do talvez a certeza, do amor à ilusão, da paz a guerra, do nada ao agora, um mar de sentimentos ruins que sempre me acompanhara foram trazidos de volta à tona, estavam mergulhados no local onde o amor e o afeto oriundo deste o colocam. Por ser bom, não querer o mal, não se envaidecer, o amor faz isso, afasta o que é negativo, o amor é vida, vida plena e abundante.
Insegurança, incerteza, rejeição, desprezo, malefícios, indignidades, batidas, violência, desconfiança, deslealdade, má vontade, desconsideração, pisação, murros, empurrões, pouco importa, sabotagens, inverdades, adeuses, tudo envolto num só organismo que apenas ousou fazer aquilo que brancos fazem; compreender o lugar do amor quando um lugar intrinsecamente também é seu, por ser, Ser.
Mas por que para nós, é tão difícil ser amado, ser assumido, se ver comprometido, não iludido, instigado, preocupado, apaixonado, envolvido, assumido, assumido, assumido. Por quê?
O ‘por que’ é mera especulação textual, porque a gente sabe como termina quando começa desse jeito, a gente aprende ao longo da vida a ler olhares, gestos corporais, situações sociais, a gente sabe o lugar que nos querem e que somos colocados.
Junto de tal, vivo enlutado, perdi meu mano, perdi o tal. Isso é um castiçal? Eu ainda sou chicoteado, estou sendo no momento que lhes escrevo, minha mente é corriqueiramente chicoteada pelas artimanhas da existência, se não tivesse sendo machucado, nem escrever, eu escreveria, mas eu escrevo, enquanto me batem, vou escrevendo. Tô machucado.
Não quero ocupar o lugar da luta, da garra, da resiliência, neste momento, o lugar da dor me envolve completamente, só é aliviado através das súplicas à imaterialidade, que me socorre nas lamúrias.
Meu amigo se foi, as pintinhas, estão, mas se foram, não sei nem se já estiveram, nem sei se eram, mas estou agarrado ao que entendi que fosse, mas foi, não foi, nem sei se foi.
Acontece que fiquei, eu sempre, sempre fico, sou eu que sempre me despeço, sempre partem, me partem, invadem, vão, em vão, sem coração, levam todo meu ‘ão’, ou não, então.
Eu fui, mas fiquei, parti, eu fiquei, machuquei, me doei, rindo, chorei, eu chorei.
No momento, eu sou o iceberg totalmente envolto naquilo que o racismo me proporciona e todas as seus malefícios subjetivos. Eu sou o que há de pior e pior, muito exposto pra todos. Eu estou machucado. Eu estou machucado.
Domingo, me machuquei, na terça, eu me machuquei, todo dia eu me machuco, mas foram maiores. Vitinho, eu vou sentir falta de você demais, de eu te interromper quando cê falava quando me cortava, das nossas rimas, das conversas sobre nossas afetividades, de conversar sobre as pressões subjetivas causadas pela presença de uma viatura da PM, de você me pedindo pra gravar as coisas que eu falara enquanto chapado estava, de ir na montanha, ver a lua, as estrelas, colocar umas músicas. Sentirei falta do dia que pegamos uma senhora chuva voltando da Lagoinha e do P.i. Sentirei falta de você indo na minha casa pela madrugada pegar marmita porque você não tinha nada pra comer em casa. Sentirei falta de sair pra trabalhar e te ver logo pela manhã na rua e parar pra te cumprimentar. Sentirei falta de você gastando os outros na rua e eu morrendo de vergonha. Sentirei falta de você afirmando pra mulher no shopping que meu cabelo era bonito, ne, porque tava olhando demais pra ele, sentirei falta de te falar sobre meu relacionamento, sentirei de escutar falando sobre sua gatinha. Sentirei falta dos pezinhos que cê vinha e fazia no meu cabelo, sentirei falta de elogiar seu look, de você mandando um ‘o que cê tá arrumando’, eu sentirei falta demais de você, demais, demais, demais, demais, demais, demais.
Pintinhas, eu sentirei falta das suas pintinhas e de tudo, de tudo, de tudo em você. Do seu sorriso e de cada parte do seu corpo, seu externo, seu interno. Eu nunca deixarei me perguntar sobre os porques, nunca, nunca, nunca, mesmo sabendo a resposta, mesmo na sabiedade, eu nada, nada entendo de nada.
Vivo duplamente enlutado, porque se foram duas partes de mim, eu não sou pra mim, eu sou pro outro, se o outro parte, eu parto, mas não pra perto, parto pra junto de mim, e comigo fico, comigo eu fico, fico comigo partido desiludido, partido, sozinho, partido, comigo, sozinho. Duplamente enlutado, lutado pelo domingo, lutado pela terça. Estou enlutado. Vitinho, pintinhas. Enlutado.
*em algum momento de 2021.
Do meu eu para eu, do eu para vocês, doeu.
Tenho vivido a sanguinariedade, a melancolia existencial que me aflige é pulsante, cortante, machucante, tranpassante. Eu perdi talvez o que nem tinha conquistado, mas pra mim, eu perdi. Eu viajei sem ao menos tem saído de casa, eu me cortei e nem vi sangue saindo de mim. Talvez esta seja uma das piores dores. Talvez, talvez, talvez. Sempre o talvez fará parte do meu eu, até porque, eu não sei de nada, é materialização daquela premissa filosófica ‘só sei de que nada sei’. Eu não tenho certeza de nada, de nada eu tenho certeza.
Em dois dias, perdi dois eixos essenciais para mim, em dois dias, me perdi, não que eu já tivesse me achado, mas se estava em um labirinto, mais labirintado eu fiquei. Perdi, me envolvi, desenvolvi, mim, ti, perdi.
Do talvez a certeza, do amor à ilusão, da paz a guerra, do nada ao agora, um mar de sentimentos ruins que sempre me acompanhara foram trazidos de volta à tona, estavam mergulhados no local onde o amor e o afeto oriundo deste o colocam. Por ser bom, não querer o mal, não se envaidecer, o amor faz isso, afasta o que é negativo, o amor é vida, vida plena e abundante.
Insegurança, incerteza, rejeição, desprezo, malefícios, indignidades, batidas, violência, desconfiança, deslealdade, má vontade, desconsideração, pisação, murros, empurrões, pouco importa, sabotagens, inverdades, adeuses, tudo envolto num só organismo que apenas ousou fazer aquilo que brancos fazem; compreender o lugar do amor quando um lugar intrinsecamente também é seu, por ser, Ser.
Mas por que para nós, é tão difícil ser amado, ser assumido, se ver comprometido, não iludido, instigado, preocupado, apaixonado, envolvido, assumido, assumido, assumido. Por quê?
O ‘por que’ é mera especulação textual, porque a gente sabe como termina quando começa desse jeito, a gente aprende ao longo da vida a ler olhares, gestos corporais, situações sociais, a gente sabe o lugar que nos querem e que somos colocados.
Junto de tal, vivo enlutado, perdi meu mano, perdi o tal. Isso é um castiçal? Eu ainda sou chicoteado, estou sendo no momento que lhes escrevo, minha mente é corriqueiramente chicoteada pelas artimanhas da existência, se não tivesse sendo machucado, nem escrever, eu escreveria, mas eu escrevo, enquanto me batem, vou escrevendo. Tô machucado.
Não quero ocupar o lugar da luta, da garra, da resiliência, neste momento, o lugar da dor me envolve completamente, só é aliviado através das súplicas à imaterialidade, que me socorre nas lamúrias.
Meu amigo se foi, as pintinhas, estão, mas se foram, não sei nem se já estiveram, nem sei se eram, mas estou agarrado ao que entendi que fosse, mas foi, não foi, nem sei se foi.
Acontece que fiquei, eu sempre, sempre fico, sou eu que sempre me despeço, sempre partem, me partem, invadem, vão, em vão, sem coração, levam todo meu ‘ão’, ou não, então.
Eu fui, mas fiquei, parti, eu fiquei, machuquei, me doei, rindo, chorei, eu chorei.
No momento, eu sou o iceberg totalmente envolto naquilo que o racismo me proporciona e todas as seus malefícios subjetivos. Eu sou o que há de pior e pior, muito exposto pra todos. Eu estou machucado. Eu estou machucado.
Domingo, me machuquei, na terça, eu me machuquei, todo dia eu me machuco, mas foram maiores. Vitinho, eu vou sentir falta de você demais, de eu te interromper quando cê falava quando me cortava, das nossas rimas, das conversas sobre nossas afetividades, de conversar sobre as pressões subjetivas causadas pela presença de uma viatura da PM, de você me pedindo pra gravar as coisas que eu falara enquanto chapado estava, de ir na montanha, ver a lua, as estrelas, colocar umas músicas. Sentirei falta do dia que pegamos uma senhora chuva voltando da Lagoinha e do P.i. Sentirei falta de você indo na minha casa pela madrugada pegar marmita porque você não tinha nada pra comer em casa. Sentirei falta de sair pra trabalhar e te ver logo pela manhã na rua e parar pra te cumprimentar. Sentirei falta de você gastando os outros na rua e eu morrendo de vergonha. Sentirei falta de você afirmando pra mulher no shopping que meu cabelo era bonito, ne, porque tava olhando demais pra ele, sentirei falta de te falar sobre meu relacionamento, sentirei de escutar falando sobre sua gatinha. Sentirei falta dos pezinhos que cê vinha e fazia no meu cabelo, sentirei falta de elogiar seu look, de você mandando um ‘o que cê tá arrumando’, eu sentirei falta demais de você, demais, demais, demais, demais, demais, demais.
Pintinhas, eu sentirei falta das suas pintinhas e de tudo, de tudo, de tudo em você. Do seu sorriso e de cada parte do seu corpo, seu externo, seu interno. Eu nunca deixarei me perguntar sobre os porques, nunca, nunca, nunca, mesmo sabendo a resposta, mesmo na sabiedade, eu nada, nada entendo de nada.
Vivo duplamente enlutado, porque se foram duas partes de mim, eu não sou pra mim, eu sou pro outro, se o outro parte, eu parto, mas não pra perto, parto pra junto de mim, e comigo fico, comigo eu fico, fico comigo partido desiludido, partido, sozinho, partido, comigo, sozinho. Duplamente enlutado, lutado pelo domingo, lutado pela terça. Estou enlutado. Vitinho, pintinhas. Enlutado.
*em algum momento de 2021.
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