Escritas

I-XC Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Quando não esteve por perto,

afundaram-me nesta Terra sob concreto.

Temos nos sentido sozinhos com o outro na mente,

vítimas da inevitável saudade de sermos carentes.

 

Não quero viver o vendo por baixo,

mas sinto-me perder a vitalidade fundindo-me a um corpo renovado.

Os rancores perambulam, mas o instinto está fresco.

Minhas vítimas se acumulam enquanto perco meu preço.

Imoral por escolha, deixo a sanidade para as próximas folhas.

 

O tempo volta a me regredir, colando-me a culpa que pode.

O fascínio que sinto por não perceber, pela discussão do que está para acontecer,

do que virá de um tiro ao acaso, de um amor infindável,

é deslumbrante o inimaginável.

É o que faz desta alma esquecer do melhor que posso,

restando-me a vida como chance de mais um encontro.